sábado, 15 de dezembro de 2007

Cinco Anos

Há 5 anos, um dia muito feliz pro santista.

Enquanto os cerca de 40 mil se dirigiam ao Morumbi, e os outros cerca de 5 milhões aguardavam o jogo pela telinha, pensavam. Será que é hoje?!

A fila incomodava.

O gol do Chulapa contra o Corinthians pelo Paulista de 84, repetido diversas vezes ao longo dos 18 anos, rondava a mente de todos. Quem tinha menos de 30 não sabia o que era dar uma volta olímpica.

O Santos passou anos esbarrando no quase.

Finais em 95 e 2000, semifinais 98, 99, 2001. Quando não era o árbitro que tirava o título, vinha um frango, uma pane, uma bobeira de um zagueiro, um gol no último minuto. A tortura não cessava. Nesse meio o Santos até ganhou em 97 e 98, Rio SP e Conmebol, torneios de segundo escalão. Mas o santista queria mais.

Veio o jogo. A expectativa e a apreensão eram enormes. Com Diego saindo logo no começo aumentou ainda mais. Até que um jogo equilibrado, vem as 8 pedaladas. E o 1x0 no pênalti. Dali pra frente, só três gols deles tiravam o título das mãos tão sonhadas.

Eis que o segundo tempo é todo pressão corintiana, mas o gol não sai. Lá pros 30 minutos, alguns esboçam um "é campeão' tímido, logo abafados pelos mais ressabiados, que queríam esperar o apito final. Naquele momento eu não queria mais nada, apenas que o relógio andasse.

Eu, perplexo, de estar presenciando algo que finalmente estava dando certo, que não tinha como dar errado, estava tudo lindo, festa, ânimo, confiança, tudo a favor. Mas o Corinthians jogava bem e crescia. Nosso time era de garotos. Quando Deivid empatou aos 33, até tudo bem, pensei. Só prender a bola, parar o jogo, fazer cera. Mas o Santos não sabe ...

Veio a virada, aos 39, um barulho ensurdecedor lá do outro lado. Uma palavra na cabeça. "Fudeu!". Todo o cenário a favor, virou cinza. Inverteu. De alguma maneira, parecia que o destino estava traçado. Quando tem que dar errado, vai dar. E dá maneira mais cruel, como em 95 e 2001.

Cheguei a apelar. "Meu Deus, será que não vamos ser campeões nunca?!".



Ninguém tirava o olho do campo. Ninguém falava com ninguém, pra não dar azar, falar alguma coisa que trouxesse zica. Dali pra frente entrelacei as mãos na frente da boca, sem me mexer, apenas focado no jogo. O outro gol deles era questão de tempo. Na cabeça de qualquer um vinha a imagem do Ricardinho aos 47'50'' chutando certeiro no ano anterior.

Foram os 4 ou 5 minutos mais longos da minha vida.

Tanto que quando o Elano achou o Robinho pela meia direita, eu pensava, "vai pra linha de fundo, perto da bandeirinha de escanteio, segura essa bola, sem entregar de graça pra eles, temos que fazer o tempo passar, cava uma falta, cai ...".

Mas Robinho não seguiu minha idéia.

Prefiriu ir em direção a área, focado em matar o lance. Decidir.

A entrada fulminante de Elano que só teve o trabalho de tocar pras redes foi o êxtase.

Dali em diante, uma mistura de sentimentos e sensações.

Riso, lágrimas e emoção.

Depois de muito desabafo, grito, abraços, veio o choro. Com o óculos na mão, chorava sentado na arquibancada, sem forças pra gritar, mas querendo dizer "ninguém tira, é nosso, acabou, é o Santos!"

Até que um amigo disse: "Levanta que tem mais um ..."

Nisso o Robinho tirava Vampeta e Kléber da jogada e a bola sobrava pro Léo, o guerreiro, matar de vez.

Aí foi mais abraços, euforia, e até um momento de não saber o que fazer. Eu só queria gritar o famoso "é campeão!!". Mas poucos tínham forças. A torcida estava cansada, exaurida.

Cumpri depois todo o prognóstico sempre pensado, de descer a serra, passar na praça, subir no monumento com a bandeira na mão e comemorar até não aguentar mais.

Me lembro da imagem final, voltando pra casa a pé, sozinho, com a bandeira, lá pras 3h da manhã, gritando sem voz o caminho inteiro, "é campeão!"

E dali em diante, o futebol nunca mais foi o mesmo.

Emoção igual? Duvido. Maior? Jamais.

Um comentário:

Anônimo disse...

Esse vídeo aí até arrepiou!